Hoje teremos a review do reboot de um dos maiores clássicos dos jogos Stealth da história dos games.
Thief
Pra quem não conhece, a série Thief ficou muito famosa nos anos 90 e 2000 por conta de seu estilo de jogo furtivo e stealth, sendo o primeiro a associar esses estilos a jogabilidade primeira pessoa. Os dois primeiros jogos foram super aclamados pela crítica, o terceiro agradou mas não completamente e o último dividiu opiniões. E é sobre ele que vou falar hoje.
Eu sou fã de longa data da série Thief. Foi um dos primeiros jogos que joguei (ganhei ele numa box junto com Commandos, Deus Ex e Tomb Raider). De cara eu já me apaixonei pelo jogo simplesmente pelo fato dele ser completamente diferente dos outros e ainda por cima te dar opções de combate.
Desde o terceiro jogo da série lançado em 2004, eu esperei muito pelo ultimo lançamento. Assim que lançaram, eu não pude comprar só alguns meses eu consegui. Então, vamos à análise.
A história
Thief é um reboot da série e conta exclusivamente com o estilo Stealth. Garret é o personagem principal, com quem você joga. Nos outros jogos ele é o Master Thief - neste título de 2014, ele ainda desenvolve suas abilidades. Nesse Thief, Garret aparece bem mais irônico e emocional, o que é perfeitamente normal, já que jogamos com sua versão mais nova e crua. Logo no começo, você se encontra com sua "parceira de crime", a Erin, que tem um papel muito importante no decorrer da história. Quem jogou os jogos anteriores já se pergunta o porquê de aquela mulher aparece ali, já que o Garret, na maioria das vezes sempre foi sozinho. E é aí que entra a história do reboot e a história da vida do Garret.
O jogo continua com o universo steampunk dos jogos anteriores e começa de uma forma bem bizarra: com um acidente, que faz Garret perder sua companheira de crime. Um ano se passa e Garret volta às ruas para descobrir o que estava acontecendo, já que uma praga que assola a cidade. Garrett, além de roubar, passa a ajudar os rebeldes na busca de uma cura e nessa brincadeira ainda descobre a verdade por trás do acidente do começo do jogo, que o fez perder sua companheira.
Os vilões são normais e nem um pouco memoráveis. A história, ao contrário do que muitos dizem por aí, é boa sim. Há bastante mistério e suspense, e foi muito bem elaborada e desenvolvida. Você em nenhum momento sente que eles estão correndo pra explicar um monte de informação que faz sua cabeça explodir, como Bioshock Infinite fez, mesmo que propositalmente. A história de Thief foi feita pra você ir juntando as partes aos poucos e ir montando o quebra cabeças, pra no final já ter tudo em mãos explicado.
E a propósito, o final é lindo e deixa um ponto de interrogação digno... aquela interrogação que você sabe que devia ter ali. Se é que isso fez sentido pra vocês.
Garret continua enigmático, sexy, e muito mais irônico e debochado. O que é legal, já que é um Garret mais imaturo, e no próprio jogo você desenvolve o personagem e vai crescendo junto com ele.
A dublagem do personagem continua perfeita. O meu maior medo era não conseguirem passar a imersão e a personalidade que o dublador dos outros jogos conseguiam passar para o Garret. Felizmente, deu tudo certo. O dublador fez um excelente trabalho mesmo não sendo o mesmo dublador dos antigos jogos, o que definitivamente não é problema. Quem jogou os jogos antigos sabem que a dublagem do Garret era uma das melhores coisas do jogo, mas nessa versão, os produtores quiseram fazer um Garret mais novo, como disse anteriormente. Além da excelente atuação de voz do dublador do Garret, é quase imperceptível a diferença das vozes desse Garret para os outros, a não ser a maior desenvoltura pra falar, principalmente nos diálogos. Nos antigos jogos, não haviam muitos diálogos, das vezes que ouvíamos a voz do Garret era quando ele falava sozinho. Nesse jogo há muitos diálogos e nisso podemos perceber um Garret bem mais desinibido; o que é um pouco estranho, já que estamos mais acostumados com o Garret mais tímido e introvertido. Isso talvez foi uma das coisas que eu mais estranhei no começo do jogo, mas no decorrer da história eu fui me simpatizando com o Garret sociável e eu até gostei bastante.
Desenvolvimento
Terminei o jogo com 36 horas, o que é um tempo bom para os jogos atuais. Não fiz 100% do jogo, diria até que fiz uns 65%, já que algumas fases são bem grandes. Queria terminá-lo logo para poder fazer a review e depois voltar a jogar e conseguir completá-lo em 100%.
Você deve estar se perguntando o que eu quero dizer com essa porcentagem. Bem, eu fiz todas as missões primárias e secundárias. Mas em cada uma delas você tem "achievements", que são coisas do tipo: roubar todo o loot, não matar ninguém, ter apenas um knockout, encontrar todos os documentos etc. Caso você complete tudo isso, você tem 100% da missão feita. De todas as missões eu só consegui 100% em somente uma. Claro que isso torna o jogo muito mais divertido e desafiador, porém tem que ter tempo e paciência. Então, fiz do jeito que pude. E mesmo assim, tive toda a experiência maravilhosa que só um jogo como Thief pode proporcionar.
Essa duração do jogo foi excelente, já que por ser um jogo de Stealth, qualquer passo errado pode estragar seu progresso. Caso o jogo fosse mais longo, talvez ficaria enjoativo, já que conseguir 100% das missões não é tarefa fácil, muito menos ser ghost.
Quanto ao desenvolvimento, a princípio o jogo é bem linear, você tem as missões primárias e uma cidade a explorar - sim, a cidade é aberta para explorar a qualquer hora em qualquer momento. Depois de um certo capítulo, você pode começar a pegar missões secundárias, que são muito legais. Algumas são curtas e outras bem longas, como a do Bank Heist (que foi a minha preferida). As missões secundárias são mais para desafios e diversão, enquanto a parte séria fica para as missões primárias.
Outro detalhe importante é que mesmo depois de você ter terminado o jogo, você pode continuar explorando a cidade. Ou seja, não se preocupe em catar todo o loot da cidade de uma vez, você pode fazer isso depois de zerar o jogo.
A Cidade
O que a cidade do jogo tão bem desenvolvida e desenhada que pode ser confusa para alguns. Você perde horas tentando achar um determinado lugar, mas são horas perdidas de maneira honesta. Isso se dá devido às diversas maneiras de explorará-la. Algumas partes pelos telhados, outras pelo esgoto e outras pelas ruas. Você precisa mais olhar ao seu redor na cidade do que olhar o mapa. O mapa te dá direções básicas, mas não te mostra como chegar à aquela janela no segundo andar de uma casa. O ideal é você observar cada detalhe perto de onde você quer chegar para assim conseguir ligar uma coisa à outra. O segredo dos puzzles da cidade é nada mais nada menos do que observação. E é por isso que no jogo existe a visão de Focus, que você usa quando estiver totalmente perdido. Isso te ajuda inclusive a detectar armadilhas e a descobrir onde desligá-las. Coisa que você não consegue fazer a olho nu.
Combate, Opções e Boss Fights
Nesse jogo da série, não existe combate corpo-a-corpo direto e muito menos espadas, como nos jogos anteriores. Você tem apenas um bastão que você pode usar de maneira stealth para dar um knockdown. O combate mesmo, caso queira matar alguém, é com flechas. Há diversos tipos de flechas, porém as mais eficientes são as de Madeira/Ferro, as de corda e as de água. Há algumas outras que podem ser totalmente irrelevantes. Eu por exemplo só usei essas. Há outros itens para o combate também como flashbombs, caso você esteja cercado e queira sair sem ninguém te ver. Confesso que também não as usei em nenhum momento porque não me pareceu conveniente.
Você tem três estilos a seguir no jogo: Ghost, Opportunist e Predator. Resumindo: Ghost você é totalmente Stealth, Opportunist você vai derrubando os caras com knockdown e Predator você vai matando os caras sem medo e sem se preocupar se foi visto. Caso você dê de cara com algum inimigo, você não pode fazer absolutamente nada, a não ser correr. Você não consegue bater no cara nem atirar flechas. O que deve ser feito é fugir do alcance do cara e começar a atacar novamente.
As Boss Fights são excelentes. Thief não cometeu o mesmo erro que Deus Ex Human Revolution de dar a oportunidade do player ser 100% stealth durante todo o jogo e quando chegar às boss fights tem que virar o master assassin. Se você escolheu ser ghost durante todo o jogo, pode continuar sendo ghost até mesmo nas Boss Fights. E isso foi simplesmente DEMAIS! Acho que foi a melhor coisa de Thief. Você pode inclusive terminar o jogo sem matar ninguém. Mas não se anime muito, as Boss Fights são MUITO difíceis. Acho que dificulta bastante pra quem quer ser ghost.
Gráficos, Animações, Dublagem e Soundtrack
Os gráficos são muito bonitos. A iluminação é boa e a cidade é muito cheia de detalhes. O jogo fica um pouco pesado para computadores medianos, mas mesmo assim parece ser bem otimizado.
As animações não são das melhores e nem o lip sync, o que me incomodou um pouco, já que você tem um jogo tão bonito da nova geração e lip sync e animações tão fracas, que parecem de jogos de duas gerações atrás. Eu tive a sensação de que os produres capricharam bastante no Garret e relaxaram nos outros personagens.
O Garret está bonito, bem construído e as expressões faciais dele bem melhores em comparação a outros personagens. As cutscenes são bem feitas, passam aquela impressão de "filme". Inclusive lembram muito as cutscenes de DX:HR e as de Batman Arkham City, só que com melhor qualidade.
A dublagem dos personagens é boa, porém um pouco genérica. Aquele tipo de diálogo que você tem a sensação de que já viu sendo falado por algum personagem em algum outro jogo, tudo isso por causa da dublagem.
A soundtrack é perfeita para o jogo. Como Thief é um jogo de stealth, você precisa estar o tempo todo em silêncio se quiser prestar atenção em tudo que acontece ao seu redor; nisso a soundtrack faz o correto: não te atrapalha. Ela só entra em momentos que precisam de uma certa imersão. É uma soundtrack mais para o clima do jogo do que para o agrado musical do player.
Como jogar
Eu li pouquíssimas críticas do jogo. Algumas boas e muitas classificando o jogo como "morno" comparado aos antigos jogos da série. Eu me perguntava se essas pessoas sequer souberam jogar Thief de fato. Vou te explicar o porquê desse meu pensamento.
Aos que são fiéis a jogos Stealth e gostam de fazê-los "direito", eu vi em alguns sites umas dicas para melhorar sua experiência no jogo e não simplesmente jogá-lo da maneira como veio programado.
Aí vão as dicas:
- Entre as opções Rogue, Thief e Master, escolha a última: Custom. Nessa opção você poderá escolher como irá vivenciar toda a experiência do game. Lembre-se que isso não poderá ser alterado após o início do jogo.
- Base Difficulty: Master - Oponentes são mortais (basicamente te matam com uma espadada), nocautear ou matar civis não é permitido e equipamentos e upgrades são mais caros.
- No Focus: On - Focus é um recurso no jogo feito pra ajudar a criançada que quer logo roubar tudo e sair dando espadada em todo mundo. Você é um ladrão, não precisa disso.
- Stealth Takedowns Only: On - Você vai mesmo querer lutar contra um soldado armado, sendo que você só tem um cassetete? Nocautear só quando o cara não te perceber.
- No Reticule: On - Esse jogo não é Call of Duty. Atire com seu arco sem mira. Isso mesmo, feche o olho esquerdo e torça pra acertar. Até o final do game você será o melhor arqueiro da cidade.
- No Alerts: On - Se alguém vir você, tchau, game over. Isso envolve cães e pássaros em gaiolas. Ou seja, será impossível você confrontar alguém frente a frente.
Essas mudanças fazem toda a diferença e acredite, tornam o Thief que todo mundo jogou e criticou um jogo totalmente diferente e desafiador. Talvez tudo que as pessoas precisavam eram apenas saber configurá-lo.
Agora, se você gosta de coisas mais simples e menos complexas, jogue-o como está. Será bom também e você não o achará ruim por causa disso.
Prós:
- Gráficos
- Dublagem do Garret
- Cidade
- Missões Secundárias
- História bem contada
- 100% Stealth
- Opções de modos de jogo
- Dificuldade Custom
- Duração do jogo
- Cutscenes
Contras:
- Animações
- Mapa
- Vilões
- Dublagem dos personagens secundários
- Ser totalmente Ghost é humanamente impossível
Nota: 9.0
And remember: Stay in the shadows if you want to survive.
Beijinhos :v
Tá na minha lista de prioridades pra jogar :v
ResponderExcluirNão vai se arrepender!
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